Publicações de Sebastião Nery

UM HOMEM CHAMADO LIVRO

RIO – No dia 28 de janeiro de 1938, Getulio Vargas escreveu em seu “Diário” (Editora Siciliano/FGV, vol. II, pág. 176): – “À noite, procura-me a Alzira (a filha Alzira Vargas) dizendo que a mulher do livreiro José Olimpio, que editara “A Nova Politica do Brasil” (livro de Vargas em vários volumes), procurara-a chorando para dizer que o meu telegrama circular aos interventores, desaprovando a compra do livro, arruinava moral

O BRASIL SAQUEADO

  RIO – O Brasil começou 8 anos antes de Cabral em 1500, com Cristóvão Colombo e Américo Vespúcio. Cristóforo, italiano de Genova, era marinheiro. O barco naufragou, foi esbarrar em Portugal, onde casou com a rica Felipa, estudou os mares, mas ninguém acreditava nele. Foi para a Espanha, conquistou os reis Fernando e Isabel, de Castela, e em 1492 chegou à América, virou “o almirante de todos os mares”,

O PISTOLEIRO ERROU O TIRO

RIO – Morto Lampião em 1938, Ângelo Roque, o “Labareda”, companheiro de cangaço, entregou-se às autoridades de Jeremoabo, no sertão da Bahia. Foi levado a júri. Tarcílo Vieira de Melo, futuro líder de Juscelino na Câmara, jovem promotor mas já com sua poderosa oratória, acusou-o fortemente. Oliveira Brito, juiz, também depois deputado e ministro de João Goulart, chamou-o de “desordeiro”. “Labareda” levantou-se indignado: – Desordeiro, não, seu juiz! Os senhores

HISTÓRIAS DE JÂNIO QUADROS

RIO – Veiga Brito era presidente do Flamengo e deputado federal da Arena, em 1966, quando Lacerda tentava organizar a “Frente Ampla”. Foi a Santos negociar um jogador com Athiê Jorge Curi. Jânio estava lá. Sabia que Veiga era amigo de Lacerda, telefonou, marcaram um encontro, conversaram longamente em um quarto, sentados na cama. Jânio não entendia porque Lacerda havia chamado Juscelino e Jango para a “Frente”, feito as pazes

A BOMBA

RIO – Na frente, um árabe com seu turbante. Atrás, um africano com seu camisolão. No meio, eu e minha namorada, com nosso medo. Impossível não ter medo. Os aeroportos internacionais da Europa tinham virado campos humanos minados. Todo mundo desconfiava de todo mundo. Sobretudo voos em direção ao Oriente. Cada um ficava imaginando onde o outro tinha escondido a bomba, a granada, o revólver que daí a pouco explodiria

A OUTRA CAMA DO PAPA

RIO – No dia em que se fizer o inventário completo das injustiças cometidas pelo golpe de 1964, é preciso contar a ignominia que foi a alegação para a cassação do embaixador do Brasil em Roma, Hugo Gouthier. O simpático e civilizado Gouthier (que conheci embaixador do Brasil no Irã, no governo do Xá da Pérsia, antes de Khomeinni) foi cassado porque, no governo de Juscelino, comprou, para a sede

O OPERÁRIO DA ABERTURA

RIO – Jornalismo é o fato. A notícia, a informação. Depois é que vem a análise. O ideal é quando o jornalista pode dar a notícia em cima do fato. Mas, muitas vezes, a maioria das vezes, só decorrido algum tempo é que temos o fato em todos os seus dados, Como a lua, a informação não nasce de vez. Ela se vai corporificando aos poucos, através da costura de

O ‘PATHÊ’ E O PATETA

RIO – Chamava-se Pathê, José Fayermann Pathê. Fayermann dos pais judeus. Pathê de uma bola na cara. Goleiro do time do grupo escolar, tomou uma bolada no rosto que o levou ao hospital. Voltou com o apelido: Pateta. Fez um acordo com os colegas: – “Pateta não. Então fica Pathê”. Ficou. Encontrei-o como Pathê no Festival Mundial de Juventude em Moscou, 1957, aluno da Escola Politécnica da Universidade de São

MIKONOS, A ILHA DE JAQUELINE

RIO – Foi aqui que Jacqueline Kennedy começou a trocar de casa branca: a Casa Branca de Kennedy pela casa branca de Onassis. Não teria sido mesmo fácil resistir aos encantos do fascinante iate de Onassis, pousado nas águas muito azuis, embaixo dos penhascos de terra muito escura, com as casas e igrejas inteiramente brancas lá em cima e um armador petrolífero, pequeno, feio e bilionário, resolvido a arrematar a

SANTORINI A ILHA VULCÃO

RIO – Ela vem voando, leve, linda, longe, toda branca. Como uma flecha de Deus. Vai chegando perto, cada vez mais perto, o bico estirado, as asas presas, os pés retos. A um metro. Vejo-lhe, perfeitamente, os olhos úmidos, miúdos, infinitos. Jogo um pedaço de pão, ela pega, passa. E faz uma doce, graciosa, sensual curva sobre o mar. É a gaivota. Um “claro” do Mar Egeu. Outras vezes as