Publicações de Sebastião Nery

A PEDRA DE MINAS

RIO – No restaurante do aeroporto Santos Dumont, no Rio, almoçaram, em 1942, cinco amigos, mineiros ilustres: Virgílio de Melo Franco, Luís Camilo de Oliveira Neto, Pedro Aleixo, Afonso Arinos de Melo Franco e José de Magalhães Pinto. Conversavam sobre o livro do padre José Antonio Marinho, “História do Movimento Político de 1842”, a histórica batalha de Santa Luzia, perto de Belo Horizonte, em que três mil mineiros em armas,

MARCELLO CERQUEIRA

RIO – No dia 12 de abril de 1972, no horror da ditadura Médici, escrevi em minha coluna na “Tribuna da Imprensa” e tantos outros jornais: – “Marcelo Caetano, primeiro-ministro de Portugal: Portugal jamais abandonará o controle sobre suas províncias da África”. Mussolini também disse que a Itália jamais sairia da Abissínia. Acabou berrando de cabeça para baixo em um posto de gasolina de Milão.Como um bode imundo. Hitler também

A FALTA QUE ELE FAZ

RIO – Foi em 22 de agosto de 1976. O Brasil o perdeu e nunca mais tivemos um Presidente igual. E que falta ele faz. 1 – O telefone tocou na casa de praia de Madame Schneider, uma francesa amiga de Juscelino Kubitschek, a 20 quilômetros de Saint Tropez, no sul da França, onde ele, dona Sarah, as filhas Márcia e Maristela e o ex-secretário amigo dileto Olavo Drummond, passavam

UFC NO SUPREMO

  RIO – Tristes trópicos assustaram o sábio Claude Lévi-Strauss. Tristes dias nos assustam. Triste país que tem um Procurador Geral da República desacatado por um respeitado ministro do Supremo Tribunal Federal. O STF (Supremo Tribunal Federal) está brigando. E brigando lá dentro, incluída a Procuradoria. Emile Durkheim ensinou: – “A sociedade sem o Direito não resistiria, seria anárquica, teria o seu fim. O Direito é a grande coluna que

REENCONTRO COM WALDIR

RIO – Nestes tempos de mediocridade triunfante, carência de vocações públicas, foi uma festa na casa do advogado Carlos Sodré, em Salvador, o reencontro com velhos amigos como Waldir Pires,Virgildásio Sena, Roberto Santos, Joacy Goes, Hélio Duque, João Carlos Teixeira Gomes (o poeta Joca), outros, relembrando uma parte da história política brasileira. Por exemplo, aos 91 anos, Waldir lúcido e ativo na defesa da democracia, ensinava: -“A política é a

A VOZ DA GLOBO

  RIO – Em 1946 quando o mundo saia do horror da Segunda Guerra o pensador Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde) sacudiu a universidade e os intelectuais brasileiros com um livro fundamental sobre o Brasil: “A Voz de Minas”. Dias atrás o jornal “Estado de Minas” também convocou o país em uma proclamação nacional: “A Voz da Globo”, do consagrado advogado, jurista e escritor Sacha Calmon, Doutor em Direito

MACUNAIMA NÃO É BRASILEIRO

RIO –     Macunaíma não é brasileiro, é venezuelano. Quem me ensinou foi o então embaixador do Brasil em Caracas, Renato Prado Guimarães, jovem e competente que lá me deu inesquecíveis lições. Teodor Koch Grumberg, um alemão aventureiro que se meteu pela floresta amazônica no princípio do século, publicou em Berlim, em 1917, em cinco volumes, a história de suas viagens: “De Roraima ao Orinoco”.                Recolheu lendas da região, inclusive

JARARACAS E ESCORPIÕES

  RIO – Fedro foi uma história que Platão inventou para conversar com Sócrates. Esopo foi um contador de histórias que os gregos ouviam na Grécia antiga. Escravo e pobre. Sócrates ensinava contando histórias a seus discípulos. Trouxeram-nos a fábula eterna do escorpião e do sapo: “É uma fábula sobre um escorpião que pede a um sapo que o leve através de um rio. O sapo tem medo de ser

QUE REI SOU EU?

RIO – Luis Augusto de França sabia. Ele foi o Rei Luis XIV que iluminou a França durante 72 anos, de 1643 a 1715. Foi o Rei Sol que deixou o Palácio de Versailles como símbolo do poder, da grandeza, da beleza e da pompa. Ele dizia: “Eu sou a Lei, eu sou o Estado. A Lei, a Justiça, a Ordem, tudo se resume na minha vontade. L´État c´est moi.”

O GOLPE DO MORUBIXABA

RIO – E de repente o Procurador Geral da República quis dar o golpe do cacique, do morubixaba: “-Até dia 17, a caneta estará na minha mão. Enquanto houver bambu, vai ter flecha.” No Brasil já vimos golpe de marechal, golpe de general, golpe de coronel. Agora é a primeira vez que se vê a cabeleira ensaboada da princesa Leopoldina tentando dar um golpe. Quem denuncia é o respeitado jurista