Publicações de Sebastião Nery

REENCONTRO COM WALDIR

RIO – Nestes tempos de mediocridade triunfante, carência de vocações públicas, foi uma festa na casa do advogado Carlos Sodré, em Salvador, o reencontro com velhos amigos como Waldir Pires,Virgildásio Sena, Roberto Santos, Joacy Goes, Hélio Duque, João Carlos Teixeira Gomes (o poeta Joca), outros, relembrando uma parte da história política brasileira. Por exemplo, aos 91 anos, Waldir lúcido e ativo na defesa da democracia, ensinava: -“A política é a

A VOZ DA GLOBO

  RIO – Em 1946 quando o mundo saia do horror da Segunda Guerra o pensador Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde) sacudiu a universidade e os intelectuais brasileiros com um livro fundamental sobre o Brasil: “A Voz de Minas”. Dias atrás o jornal “Estado de Minas” também convocou o país em uma proclamação nacional: “A Voz da Globo”, do consagrado advogado, jurista e escritor Sacha Calmon, Doutor em Direito

MACUNAIMA NÃO É BRASILEIRO

RIO –     Macunaíma não é brasileiro, é venezuelano. Quem me ensinou foi o então embaixador do Brasil em Caracas, Renato Prado Guimarães, jovem e competente que lá me deu inesquecíveis lições. Teodor Koch Grumberg, um alemão aventureiro que se meteu pela floresta amazônica no princípio do século, publicou em Berlim, em 1917, em cinco volumes, a história de suas viagens: “De Roraima ao Orinoco”.                Recolheu lendas da região, inclusive

JARARACAS E ESCORPIÕES

  RIO – Fedro foi uma história que Platão inventou para conversar com Sócrates. Esopo foi um contador de histórias que os gregos ouviam na Grécia antiga. Escravo e pobre. Sócrates ensinava contando histórias a seus discípulos. Trouxeram-nos a fábula eterna do escorpião e do sapo: “É uma fábula sobre um escorpião que pede a um sapo que o leve através de um rio. O sapo tem medo de ser

QUE REI SOU EU?

RIO – Luis Augusto de França sabia. Ele foi o Rei Luis XIV que iluminou a França durante 72 anos, de 1643 a 1715. Foi o Rei Sol que deixou o Palácio de Versailles como símbolo do poder, da grandeza, da beleza e da pompa. Ele dizia: “Eu sou a Lei, eu sou o Estado. A Lei, a Justiça, a Ordem, tudo se resume na minha vontade. L´État c´est moi.”

O GOLPE DO MORUBIXABA

RIO – E de repente o Procurador Geral da República quis dar o golpe do cacique, do morubixaba: “-Até dia 17, a caneta estará na minha mão. Enquanto houver bambu, vai ter flecha.” No Brasil já vimos golpe de marechal, golpe de general, golpe de coronel. Agora é a primeira vez que se vê a cabeleira ensaboada da princesa Leopoldina tentando dar um golpe. Quem denuncia é o respeitado jurista

FILHOS DA IMPRENSA MARROM

  RIO – O progresso nunca vem só. Antes era a imprensa marrom maculando a comunicação. Mas seu alcance era limitado. De repente as redes sociais invadiram a vida do cidadão. É preciso resistir para não sermos absorvidos por elas. Cada um se sente no direito de ser o jornal de si mesmo. E vai escrevendo, publicando, dando sua opinião a torto e a direito, sem controle e sem critério.

PAVÃO MISTERIOSO

RIO – “Pavão misterioso pássaro formoso tudo é mistério nesse seu voar mas se eu corresse assim tantos céus assim muita história eu tinha pra contar” Começa assim a bela canção do cearense Ednardo. Agora apareceu outro pavão, o Procurador Geral da República, cheio de poses, bocas e madeixas medievais. Nas mãos dele se embala o boiadeiro trambiqueiro goiano. Surgiram os verdadeiros números e nomes do império bovino. É quase

MEU AMOR BANDIDO

RIO – Era um país inteiro reverenciando um açougueiro cheio de dinheiro. Distribuía carne enlatada, carne empacotada, carne iluminada por uma moça linda que trocou um Jornal Nacional pela Friboi. E ele se tornou o aidodói do empresariado. Todos queriam ser o boiadeiro de Goiás. E os políticos encheram-no de dinheiro. Dinheiro dos bancos públicos, dinheiro dos bilhões de impostos que sonegava, dinheiro dos bancos que comprava, dinheiro das negociatas

E A GLOBO PERDEU A GUERRA

  RIO – De repente, não mais que de repente, como diria o poeta, a Globo começou uma guerra de manhã e de noite já tinha perdido. A Bolsa disparou, o dólar apavorou, o mercado faturou, mas nada mais aconteceu. O presidente não caiu e a Globo assustava a nação com manchetes alarmantes o dia inteiro. Acionaram todo seu exercito gráfico repetindo as ordens da Lopes Quintas. Por mais que