Publicações de Sebastião Nery

Pôs o dedo sai pus

RIO – Uma tarde, em 1947, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e João Etienne Filho, jornalistas e escritores mineiros desembarcados no Rio, tomavam seu chope pobre no Vermelhinho, em frente à ABI, e ruminavam as esperanças nacionais. Chega Otto Lara Resende, também mineiro, jornalista e escritor, que fazia a cobertura do Senado ali ao lado, no Palácio Monroe, na Cinelândia, derrubado pela irresponsabilidade ditatorial do general Ernesto Geisel: – “Esse

O Scolari de Jango

RIO – “A 31 de março de 1964, pela manhã, eu fora à Câmara dos Deputados. Passara pelo meu gabinete por alguma razão menor. Para minha surpresa, por toda parte, parlamentares às dezenas, agrupados, a discutirem numa incontida agitação. Àquela época, o parlamento reunia-se pelas tardes. Sempre. Às vezes, às noites. Pelas manhãs, nunca. O que motivara os deputados federais àquele encontro insólito? “Aproximei-me de um dos grupos: e ali

Barbara de Varsóvia

RIO – Ao lado do hotel Bristol, em Varsóvia, na Polônia, havia um bar de nome inconfundível, Krokodila, com cara e fumaça de cave existencialista de Paris, naquela cidade arrasada pela guerra. A um canto do Krocodila, toda noite, tomava conhaque da Geórgia uma estudante de arquitetura com cara de pecado, Barbara Slanka, que usava pulôver vermelho com gola rolê e calça preta. Em 1957, ia ficar uma semana em

Lembranças de Serra

BELO HORIZONTE – Em 1964 a UNE (União Nacional de Estudantes) não era esse molusco falso, frouxo, mixuruca, que é hoje, um indisfarçado escritório financeiro-eleitoral que nem voto tem. Era uma grande e poderosa entidade nacional  que de fato representava a nós   estudantes brasileiros. E mais do que isso: era uma escola política, a vibrante Universidade Livre da juventude brasileira. Daí vinha sua força, sua representatividade, sua autoridade diante do

O conhaque francês

RIO – Alcântara era contínuo do palácio do governo do Rio Grande do Norte. Afonso Pena, presidente da República, ia visitar o Estado. Alcântara pediu para fazer parte da comitiva que ia esperar o Presidente na estação ferroviária de Nova Cruz, fronteira da Paraíba com o Rio Grande do Norte. O governador concordou. Mas o secretário do governador achou um absurdo. Onde se viu contínuo esperando presidente?  Chamou Alcântara: -O

Perversão de ideias e assistencialismo

Estelionatarismo ideológico vem sendo, nos últimos anos, fato normal, aceito e festejado no Brasil. Envolve um debate surrealista entre ser de direita ou de esquerda. O binarismo que envolve o debate é de pobreza franciscana. Alimenta a falsificação com muitos personagens destituídos de formação, princípios e valores, autoproclamando-se herdeiros das tradições que marcaram a esquerda brasileira. Na outra ponta, a velha direita recusa-se a assumir com firmeza as propostas sociais

Pesquisas

Prezado Nery, Respeito muito as suas defesas e ataques apaixonados. Sabemos, entretanto, que os institutos de pesquisas têm seus interesses comerciais. Voxpopuli, instituto que apoiou o Collor. O Datafolha, o Data da Folha, pertence ao grupo que chamou a ditadura de ditabranda! Emprestava os carros de reportagem do jornal para a ditadura fazer o serviço sujo. Que credibilidade tem? O IBOPE recebe ordens da Globo. Que credibilidade guarda? E o

Folclore Político V (2002)

FOLCLORE POLITICO – Volume V (2002), Geração Editorial, SP. São 1950 HISTORIAS (5 volumes em 1). São histórias dos políticos e da política brasileira. A metade vi, ouvi e sei que são verdadeiras. A outra metade me contaram, anotei e publiquei. Comecei a publicá-las em 1971, quando a censura era brutal e proibia falar dos cassados. Escrevendo todo dia, usava as historias para driblar a censura.