Publicações de Sebastião Nery

Portugal, um salto no escuro (1975)

PORTUGAL, UM SALTO NO ESCURO (1975), Editora Francisco Alves. Fui a Portugal fazer reportagens sobre a queda da ditadura de Salazar, o processo era tão interessante que corri o país, fiz a pesquisa e escrevi o livro que Tristão de Athayde, em dois artigos no Jornal do Brasil, disse que era o melhor que ele havia lido, entre os publicados no Brasil e na Europa, sobre a Revolução dos Cravos.

Socialismo com liberdade (1974)

SOCIALISMO COM LIBERDADE (1974), Editora Paz e Terra, Rio. Uma viagem à Alemanha, Iugoslávia França, Holanda, Inglaterra, Áustria, Bélgica, Espanha e Marrocos. Quase todos esses paises eram dirigidos por partidos social-democratas (que na Europa se chamam socialistas). A Iugoslávia, com Tito vivo, era um comunismo sem Moscou. Meu objetivo era mostrar que, sem liberdade, o comunismo da União Soviética e do Leste Europeu não agüentaria mais 20 anos. Agüentou 25.

Queimado na praça

No meio da praça do “Campo dei Fiori”,  em Roma, cheia de flores, frutos e “finestras” (janelas), com seu mercado aberto e a milenar arquitetura das antiquissimas hospedarias medievais, estou vendo Giordano Bruno, de pé, na estátua negra, denúncia eterna de todos os fundamentalismos: -A Bruno, il Secolo da Lui Divinato, Qui, Dove il Rogo Arse (A Bruno, o Século por Ele Profetizado, Aqui, Onde a Fogueira Ardeu). Nascido em

Histórias de Jequié, Lomanto e Getúlio

RIO – Pálido, os olhos tristes e a alma cansada, Getúlio Vargas desceu em Belo Horizonte, na tarde de 12 de agosto de 1954, a convite do solidário governador Juscelino Kubitschek, para inaugurar a siderúrgica Mannesman. O Rio pegava fogo com o  inquérito da Aeronáutica (a “Republica do Galeão”) contra os que tentaram matar Lacerda. Liderados pelos comunistas e udenistas, nós estudantes, com lenços  amarrados na boca, impedimos que Vargas atravessasse a cidade pela Avenida

Júlio Prestes

Em 30, Júlio Prestes e Costa Rego foram exilados para a França. Encontraram-se, numa tarde de neve, à beira do Sena. Costa Rego inconsolável: -Olhe, Júlio, eu entendo que você esteja aqui. Afinal, foi o candidato à presidência da Republica, a oposição se rebelou e tomou o poder. Eles não iriam querer deixa-lo lá. Mas eu,  pobre jornalista e político de Alagoas, não era ameaça nenhuma. Não me conformo. -Não se

Um homem chamado livro

SALVADOR – No dia 28 de janeiro de 1938, Getúlio Vargas escreveu em seu “Diário” (Editora Siciliano/FGV, vol. II, pág. 176): -À noite, procura-me a Alzira (a filha Alzira Vargas) dizendo que a mulher do livreiro José Olimpio, que editara “A Nova Politica do Brasil” (livro de Vargas em vários volumes), procurara-a chorando para dizer que o meu telegrama circular aos interventores, desaprovando a compra do livro, arruinava moral e

Lembranças de Jucelino

Três dias antes de morrer, Juscelino viera de sua fazendinha em Luziania e pernoitara no apartamento do primo Carlos Murilo, em Brasília. Estava triste e deprimido por tantas injustiças e perseguições, e fez a esse seu primo e meu xará a seguinte confissão que, autorizado por ele, agora, pela primeira vez, vou revelar: -Meu tempo, aqui na terra, está acabado. Tenho o quê, de vida? Mais dois, três ou cinco