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HISTORIAS PARAENSES

RIO – Magalhães Barata, revolucionário de 1924 a 1930, interventor de 1930 a 1945, constituinte de 1946 , senador de 1946 a 1954, governador de 1955 a 1959, amigo de Getúlio Vargas, mandou 35 anos no Pará. Um dia Abelardo Conduru, respeitável chefe político, rompeu com ele. Fez carta, mandou um vaqueiro levar. Barata abriu, leu, ficou indignado. Conduru mandava tirar o nome da chapa do governo e comunicava que

O SONHO DO SULTÃO

RIO – Um sultão todo poderoso acordou desesperado. Sonhou que havia perdido todos os dentes. Ao despertar, mandou chamar o adivinho da Corte para as devidas interpretações. – Que sonho terrível! Cada dente perdido significa a perda de um parente de Vossa Majestade. – Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui, insolente! Enfurecido, o sultão chamou os guardas e ordenou que lhe dessem 50 chibatadas. Mandou chamar outro

MEIO SECULO DA GLOBO

RIO – O deputado mineiro José Maria Alkmin foi advogado de um crime bárbaro. No júri, conseguiu oito anos para o réu. Recorreu. Novo júri, 30 anos. O réu ficou desolado: – A culpa foi do senhor, dr. Alkmin. Eu pedi para não recorrer. Agora vou passar 30 anos na cadeia. – Calma, meu filho, não é bem assim. Nada é como a gente pensa da primeira vez. Primeiro, não

AVENTURAS DE DAVID

RIO – Desci no aeroporto de Portela de Sacavém, em Lisboa, contratado pela Editora Francisco Alves para escrever um livro sobre a “Revolução dos Cravos” de 25 de abril de 1974. Passei no hotel Phenix, na Rotonda do Marquês de Pombal, deixei a mala, telefonei para Marcio Moreira Alves, exilado lá, cuja casa era a embaixada dos brasileiros em Lisboa. Atende outro: – Nery, aqui é o David Lehrer. –

UMA LIÇÃO NACIONAL

RIO – Câmara Cascudo, gênio de Natal, iluminado pelo sol e pelo sal, ensinou há muitos anos: – “O Brasil não tem problemas. Só soluções adiadas”. Na geografia dos estados brasileiros, a relação na distribuição de renda, por habitante, é indecorosa. Nas diferentes regiões, das mais prósperas às mais pobres, a realidade é de monstruosa concentração de renda nacional. Na desigualdade por unidade federativa, em 2014, o Pnad (Pesquisa Nacional

UM GORDO CHAMADO JÔ

RIO – Talvez o título mais correto fosse: “Um Gênio Chamado Jô”. Essa história está recontada no magnífico livro de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr, “O Livro de Jô”, da Companhia das Letras, que tanto sucesso esta fazendo. “A história mais famosa de Gilberto Amado foi relatada por Sebastião Nery no seu Folclore Político, envolvendo um diálogo entre ele e Getúlio Vargas. Aproveitamos esse caso em meu espetáculo “Brasil:

O BRUXO DA CANÇÃO

RIO – Eleito presidente, Tancredo Neves foi aos Estados Unidos e Europa. Passou pelo México. Augusto Marzagão, vice-presidente da Televisa, a maior televisão do México, organizou uma entrevista coletiva. Desde a Copa de 70, quando o Brasil ganhou o tri com a maior seleção mundial de todos os tempos, os mexicanos são siderados pelo futebol brasileiro. Um jornalista perguntou a Tancredo: – Presidente, é fácil ser eleito presidente da República

DOM HELDER SEM MARX

RIO – A Bahia fazia 400 anos, em 1949. Houve um congresso eucarístico em Salvador. Muitos bispos e padres se hospedaram no nosso multissecular Seminário Central, que é hoje o magnífico Museu de Arte Sacra, com suas imensas janelas coloniais. Cada um de nós do Seminário Maior ficou encarregado de secretariar um bispo ou um padre. A mim, com 17 anos, coube o magérrimo, falante e simpático padre Helder Camara.Ajudei-lhe

A HORA DA PREVIDÊNCIA

RIO – Os poetas sabem das coisas. Fernando Pessoa, como poucos: – “O homem e a hora são um só /quando Deus faz e a historia é feita / O mais é carne, cujo pó / a terra espreita”. Os três acabam sendo uma coisa só: o homem, a hora e a história. A história é a hora acontecendo. Na hora, o homem faz a história acontecer. Com as lutas

O TRONO DE WILLIAM

RIO – Velhinho miúdo de cabeça grande e longos cabelos e bigodes brancos, ele não nasceu em Estrasburgo. Nasceu perto, do outro lado do Reno, na Alemanha, onde o Meno se encontra com o Reno, em Mainz, que portugueses, espanhóis, italianos chamam de Mogúncia. Nasceu em 1400 e também não morreu em Estrasburgo, mas na sua Mainz, em 1468. Mas é em Estrasburgo, à beira do Reno, na maravilhosa cidade,