Colunas

UM VELHO KENNEDY?

RIO – Éramos como três adolescentes em férias, terminado o longo Congresso Internacional de Municípios em San Diego, na California, em 1960, que durou mais de duas semanas: o deputado baiano Valter Lomanto, o simpático e mais velho secretário de Saúde de Recife, João Ferreira Filho. Alugamos um carro e saímos por ai, até São Francisco. Eu tinha ficado amigo do presidente do Conselho Municipal de Los Angeles, jornalista como

O PORRE DE GALLOTTI

RIO – Era meia noite de um fim de semana de 1979. O restaurante Antonio`s, varanda lírica da República do Leblon, no Rio de Janeiro, começava seu fim de noite. Nas mesas, os profissionais da madrugada penduravam esperanças e desencantos nas beiras dos copos. Um conversar silencioso e humilde, como do feitio dos calejados. Cada grupo em sua mesa, como monges de uma missa noturna. De repente, o tufão. A

CACHAÇA NÃO É ÁGUA

RIO – O PT não nasceu em São Bernardo, São Paulo. Nasceu em Criciúma, Santa Catarina. Eu vi. Em 1978, o prefeito Walmor de Luca, líder estudantil, deputado federal de 1974 no levante eleitoral do MDB, realizou um seminário trabalhista nacional com os políticos que se reorganizavam lutando pela anistia e destacadas lideranças sindicais. Lula estava lá. E também Olívio Dutra, o bigodudo gaucho, bancário do Rio Grande do Sul,

O SAMBA DO ADVOGADO DOIDO

RIO – Em 12 de dezembro de 1964, o “Correio da Manhã” publicou: – “Justiça Reintegra Cassados na Bahia” – “O Tribunal de Justiça da Bahia concedeu por unanimidade mandado de segurança a Ênio Mendes e Sebastião Nery, para que regressem aos mandatos de deputados. Tiveram os mandatos cassados por determinação do comando da 6ª Região Militar”. “O deputado Orlando Spínola, presidente da Assembleia, foi chamado à 6º Região e

PETROLEO NÃO É DO PT

RIO – A campanha do “O Petróleo é Nosso”, pela criação da Petrobrás, estava no auge, em 1953, eletrizando todo o pais. Em Belo Horizonte, entidades estudantis, sindicais, de jornalistas e intelectuais preparamos um comício para a praça da estação e convidamos os parlamentares. A polícia proibiu, alegando que era comício dos comunistas. Nenhum deputado federal apareceu. A praça cheia, cercada pela policia. Lá na frente, servindo de palanque, vazio,

SEM CARA DE PRESIDENTE

RIO – Desço no aeroporto Simon Bolivar de Caracas, na Venezuela, em 1979. Às seis horas de uma manhã fria, dois rapazes sonolentos carimbam os passaportes e conferem as bagagens na alfândega. Não abrem nada.Fazem sinal com a mão, todos vão passando. Minha maleta gorda, estufada, passou sem uma espiada. Mas eu levava na mão revistas e um pacote de livros.Um rapaz de bigodes pretos e olhos desconfiados acordou: –

BRIZOLA, HERÓI

RIO – No fétido campo de concentração do Exercito no Barbalho, em Salvador, depois do golpe militar de 1964, o coronel depois general Guadalupe Montezuma e seu cachimbo inglês chegaram de Pernambuco para fazer o IPM baiano e queriam saber mais de Brizola do que de mim: – Nesse mês em que o senhor esteve clandestino entre o Rio e a Bahia, depois do 31 de Março, até ser preso

OS 100 ANOS DE ULYSSES

SALVADOR – Ninguém me contou. Eu vi. Estava lá. Às 19 horas de um sábado, em 1978, no “hall” do Hotel Praia-Mar, em Salvador, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Roberto Saturnino e Freitas Nobre receberam a visita de toda a direção do MDB da Bahia com a notícia nervosa: – A Polícia Militar havia cercado a praça do Campo Grande e comunicado oficialmente ao partido que não ia permitir a reunião

FAMILIA EMPRESARIAL

SÃO PAULO – Agamenon Magalhães, governador, ministro, patriarca de Pernambuco, era um político sábio: – “O homem público no poder não compra, não vende, não troca”. Outro sábio, Ortega y Gasset, filósofo espanhol, em 1921, perplexo diante do desfibramento da política e da sociedade espanhola, escreveu “Espanha Invertebrada”, sobre os rumos e o futuro da Nação: – “Uma sociedade míope agrava a enfermidade pública, prestigiando políticos sem virtudes que impõem

REQUIEM PARA PARIS

RIO – Em Paris, desde a primeira vez, em 1955, eu pensava em Gilberto Amado, sergipano de Estância e universal como todo gênio: – “Uma rua de Paris é um rio que vem da Grécia”. Para mim, o rio correu até minha Jaguaquara, na Bahia. O sábio Paulo Rónai também lembrou Hemingway sobre Paris: – “Se tens a sorte de ter vivido em Paris quando moço, por onde quer que