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ALHAMBRA DE GRANADA

GRANADA – A primeira vez em que vim a Granada foi no violão de meu pai lá nas noites da roça. Agustín Lara, o barroco mexicano Ángel Agustín Maria Carlos Fausto Mariano Alfonso Rojas Canela del Sagrado Corazón de Jesús Lara y Aguirre del Pino, embolerava as noites com as canções “Granada”, “Solamente una Vez”, “Noche de Ronda”, “Palmeras” (o nome da nossa fazendinha) e outras. A segunda vez em

A LIÇÃO DA ESPANHA

MADRID – Mino Carta, diretor da “Isto É”, me convidou em 1977 para ir à Espanha acompanhar a campanha eleitoral da Constituinte espanhola, que deveria ser convocada para breve. O general Franco morrera em 20 de novembro de 1975 e o franquismo estrebuchava seus 41 anos de ditadura. Logo no dia 22, o príncipe Juan Carlos (nasceu em Roma em 1938) foi proclamado Rei da Espanha (37 anos) e iniciou

A CIDADE DE AUGUSTO

BARCELONA – Ela é uma mas sempre foi muitas, tantas, numerosíssimas. Nasceu Laye, cidade ibérica conquistada no ano 133 antes de Cristo pelo romano Lúcio Cornélio Scipião, colônia romana nos tempos do imperador Augusto (de 27 antes de Cristo a 14 depois de Cristo), com o múltiplo, imperial e soberbo nome de Faventia Julia Augusta Paterna Barcino, a cidade de Augusto, dos Augustos como eu. De Barcino para Barcelona foram

LIÇÕES DE DEMOCRACIA

PARIS – Naquela tarde, o aeroporto de Atenas era pequeno demais para uma multidão tão grande. A ditadura militar do coronel Georgios Papadopoulos, que dera o golpe em 1967, caíra de podre e violências, derrubada por ondas de protestos nas ruas no turbulento julho de 1974. Eu estava lá, escrevendo o meu livro “Socialismo com Liberdade”. Os militares foram obrigados a chamar de volta do exílio, em Paris, devolvendo-lhe o

HUNGRIA DE NOVO?

PARIS – O brutal massacre de Budapeste pelos russos em 1956 traumatizou a Europa e ensanguentou o Leste Europeu, que nunca mais foi o mesmo. Cheguei lá logo depois, indo de Moscou, Varsóvia e Praga Foi uma historia de horror, pior do que os poloneses e tchecos contaram.                 Os húngaros traziam atravessado na garganta o fuzilamento de Lazlo Rajk, seu ministro do Interior, acusado por Stalin de colaborar com

FALTA UM JK

RIO–“Um dia, quando estávamos com o ex-presidente JK na fazenda chegou um carro com o dono da loja de artigos agrícolas que fornecia insumos para Juscelino, dizendo que havia recebido um bilhete do “Jornal do Brasil”, e um repórter do jornal precisava falar com urgência comigo. Juscelino, desconfiado como todo bom mineiro, comentou: – Aposto que é alguma coisa comigo… Como não havia telefone na região, eu e Ildeu, sabendo

UM GOVERNO PARA ROUBAR

RIO – Gilberto Amado, senador de Sergipe até 1930, em 1934 queria ser governador. Já escritor famoso, glória e honra de sua gente, faltava governa-la. Eleição indireta comandada pelo Governo, ele foi a Getúlio: – Presidente, quero ser governador de Sergipe. – Por que, Gilberto? Você, um homem tão grande, ser governador de um Estado tão pequeno? – Quero dirigir minha tribo. Isto é fundamental para minha vida. – Ora,

PETRÔNIO E DILMA

RIO – No dia 7 de maio de 1977, Brasília era um cemitério cívico coveirado pelo general Geisel, que dias antes editara o Pacote de Abril, fechara o Congresso, rasgara a Constituição da Junta Militar e passara a legislar como um Nero em sua Roma tropical. Como sempre fiz ao descer na capital, liguei para Petrônio Portela, presidente do Senado. – Ótimo. Vamos conversar. Passe amanhã cedo lá em casa.

GETÚLIO E DILMA

RIO – Aquela foi uma noite de cão, o 23 de agosto de 1954. Fez 61 anos domingo. Ninguém me contou. Eu vi, vivi e sofri. Getúlio encurralado no Catete. Juscelino, generoso, corajoso e solidário, o havia levado a Belo Horizonte no dia 12 para inaugurar a siderúrgica Mannesman. Eu queria ver e ouvir Getúlio. Nunca o tinha visto de perto. Mais baixo do que pensava, mais gordo do que

ONTEM E HOJE

RIO – Foi meu colega na saudosa Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas e contemporâneo na Câmara Federal (1975 – 83 pelo MDB e PMDB mineiro). Agora, Genival Tourinho está escrevendo um livro comparando o estilo de vida dos parlamentares de sua geração com os dos atuais: – “Quanto mais recordo mais fico indignado”. No meio do mês, era comum que os colegas da Câmara formassem filas em