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O PRIMEIRO JOÃO DÓRIA

RIO – João Doria, João Agripino da Costa Doria, baiano de excepcional talento, foi o mais brilhante marqueteiro do pais, do time de Nizan Guanaes, Washington Olivetto, Duda Mendonça. Empolgado com a candidatura de Juracy Magalhães, governador da Bahia, à presidência da Republica, pela UDN, ficou contra Janio Quadros que, em novembro de 1960, ia disputar a candidatura com Juracy na convenção da UDN. Doria criou um slogan arrasador, como

A VOLTA DOS PELEGOS

RIO – O sindicalismo brasileiro vive hoje da Contribuição Sindical: um dia de desconto no salário de cada trabalhador. No ano passado arrecadou R$ 3,2 bilhões, retirados do orçamento dos assalariados. recursos repassados aos 10.620 sindicatos e centrais sindicais, sem fiscalização. A Caixa Econômica, responsável pela arrecadação e distribuição, nega-se a mostrar com transparência quanto é destinado às várias entidades. Alega sigilo bancário por eles não serem órgãos públicos. Já

O CORONEL JARARACA

RIO – Chico Heráclio foi o mais famoso coronel do Nordeste. Em Limoeiro, Pernambuco, quem mandava era ele. Era o senhor da terra, do fogo e do ar. Ou obedecia ou morria. Fazia eleição como um pastor. Punha o rebanho em frente à casa e ia tangendo, um a um, para o curral cívico. Na mão, o envelope cheinho de chapas. Que ninguém via, ninguém abria, ninguém sabia. Intocado e

O “JARARECO” DESASTRADO

RIO – O Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, estava agitado naquela noite, em 1984. O governador Franco Motoro tinha convocado os governadores do PMDB e Leonel Brizola, do PDT, para jantar. Com a derrota das eleições diretas na Câmara, ia ser lançada a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República, pelo Colégio Eleitoral. Montoro tinha dado ordens expressas à portaria: só entravam os convidados: governadores, senadores, deputados federais

A BALA DE OURO

RIO – Era uma vez dois amigos, Patinhas e Gereba. Lá em Tucano, no sertão da Bahia. Colegas de escola, inteligentes, talentosos, brilhantes, faziam musica juntos. Patinhas escrevia, compunha e cantava, Gereba tocava instrumentos, compunha e cantava. Em 1973, fizeram um disco juntos: “Bendengó”, um LP com 12 faixas. Era uma homenagem ao meteorito “Bendengó” que caiu na cidade no final do século 19, grande e belo, e que está

A VINGANÇA DA FLORESTA

RIO – Gilberto Amado, deputado federal de Sergipe de 1915 a 1917 e de 1921 a 1926, senador de 1927 a 1930 , em 1934 queria ser governador. Já escritor famoso, honra e glória de sua gente, decidiu governá-la. A eleição era indireta, pela Assembleia, comandada pelo Catete.Foi a Getúlio: – Presidente, quero ser governador de Sergipe. – Por que, Gilberto? – Porque quero. É a hora. – Mas, Gilberto,

UM MUSEU DO HOMEM

RIO – A Turquia não é um país. É um mapa. É o único país do mundo que já teve 12 capitais: Troia, Hattusa, Xanthos, Sardes, Pergamo, Amaseia, Bizâncio, Constantinopla, Bursa, Edirne, Istambul e Ancara hoje. De belos e estranhos nomes, viveram desde o começo dos tempos naqueles 780 mil km2 com hoje 65 milhões de habitantes. São uma enciclopédia da humanidade, herança de civilizações superpostas, desde o início dos

UM VELHO KENNEDY?

RIO – Éramos como três adolescentes em férias, terminado o longo Congresso Internacional de Municípios em San Diego, na California, em 1960, que durou mais de duas semanas: o deputado baiano Valter Lomanto, o simpático e mais velho secretário de Saúde de Recife, João Ferreira Filho. Alugamos um carro e saímos por ai, até São Francisco. Eu tinha ficado amigo do presidente do Conselho Municipal de Los Angeles, jornalista como

O PORRE DE GALLOTTI

RIO – Era meia noite de um fim de semana de 1979. O restaurante Antonio`s, varanda lírica da República do Leblon, no Rio de Janeiro, começava seu fim de noite. Nas mesas, os profissionais da madrugada penduravam esperanças e desencantos nas beiras dos copos. Um conversar silencioso e humilde, como do feitio dos calejados. Cada grupo em sua mesa, como monges de uma missa noturna. De repente, o tufão. A

CACHAÇA NÃO É ÁGUA

RIO – O PT não nasceu em São Bernardo, São Paulo. Nasceu em Criciúma, Santa Catarina. Eu vi. Em 1978, o prefeito Walmor de Luca, líder estudantil, deputado federal de 1974 no levante eleitoral do MDB, realizou um seminário trabalhista nacional com os políticos que se reorganizavam lutando pela anistia e destacadas lideranças sindicais. Lula estava lá. E também Olívio Dutra, o bigodudo gaucho, bancário do Rio Grande do Sul,