Colunas

LEMBRANÇAS DE GUERRA

RIO – Fazia frio naquela manhã de 8 de maio de 1945, no Seminário de Amargosa, na Bahia. Às 8 horas o Padre Feliciano já nos dava sua aula de italiano. Baixinho, compenetrado, vaidoso por sua pronuncia perfeita, balançava as pernas curtas que não chegavam ao chão. De repente, pelas janelas abertas, começamos a ouvir um rumor que ia crescendo na praça em frente, com o povo pulando e cantando:

OS FILHOS DO PSD

RIO – Em 1963, o PSD achou que o presidente João Goulart não queria eleições. Resolveu forçar a barra e lançar logo o “JK 65”. Marcaram a convenção nacional. Mas havia uma encruzilhada difícil. O PSD não podia ficar contra as “reformas de base” porque o país estava emocionalmente conquistado para elas. Mas também não queria ficar abertamente a favor, para não perder suas bases latifundiárias, sobretudo os coronéis de

O CHE QUE NOS COUBE

RIO – Fez 40 anos aquele 25 de abril. Desci no aeroporto de Portela de Sacavem, em Lisboa, contratado pela Editora Francisco Alves para escrever um livro (“Portugal Um Salto no Escuro”) sobre a “Revolução dos Cravos”, ante o sucesso de meu livro anterior, sobre as eleições de 15 de novembro de 74:-“As 16 Derrotas Que Abalaram o Brasil”, com a derrota da ditadura. Telefonei para Marcio Moreira Alves exilado

O PAPA ESTÁ CERTO

RIO – Era um mês de férias. Acabara a Constituinte espanhola, eu estava em Paris no inverno de 1977, tinha um convite para um mês no Mar Negro e arredores: Ucrania, Moldavia, Georgia, Armenia, Mar Caspio. Fui. Um a um, viajando e flanando de dia e escrevendo de noite no hotel. Tudo lá, pais a pais, no meu livro “A NUVEM – O Que Ficou do Que Passou”. A Armênia

O GRANDE ENGANADOR

RIO – Queiróz Filho, paulista, professor, jornalista, conta que o general gaúcho Flores da Cunha se reconciliou com Getúlio Vargas em 1936 e foi visitá-lo. Getúlio estava preocupado com a sucessão: – Sabe, Flores, os tempos são outros. Vou fazer eleições e a dificuldade em que me encontro é a de escolher um homem verdadeiramente à altura do cargo, que possa continuar minha obra. – Quem sabe o Aranha. –

CHARUTOS PARA LULA

RIO – Da tribuna da Câmara, Carlos Lacerda, líder da UDN, fazia violento discurso contra o presidente Vargas, insinuando que ele era conivente com a corrupção. Flores da Cunha, general, gaúcho, deputado pela UDN, liderado de Lacerda, pediu um aparte: – Sr. Deputado e líder Carlos Lacerda. Sabe a Câmara e sabe a Nação que sou adversário de Getúlio. Mas não admito que ninguém, nem mesmo V. Exa., meu correligionário

UM PAIS APODRECIDO

RIO – Éramos quase crianças, 19 anos. Eu, professor de latim e português. Ele, professor de matemática e ginástica. No ginásio de Pedra Azul, lá no infinito e saudoso norte de Minas.Os outros professores tínhamos inveja dele. Era o único que via as pernas das meninas da cidade. Não havia praia nem piscina. Nas aulas de ginástica, as alunas usavam short. João Bênio era um Salomão, naquela Jerusalém de virtudes.

O CABELEIREIRO DE DILMA

RIO – No enterro do professor Lineu de Albuquerque, diretor da Faculdade Nacional de Direito do Rio, o cemitério São João Batista estava lotado. Falou o reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon. Falou o ministro Hermes Lima, em nome do presidente Goulart. Quando o caixão já se cobria de flores, pronto para descer, uma voz gritou lá de longe: – Um momento! E um desconhecido, cara modesta, voz trêmula,

A PATA MANCA

RIO – Palácio das Laranjeiras, Rio, meia-noite de 31 de março de 1964. De Minas continuavam chegando as notícias das tropas do general Mourão Filho para derrubar o presidente João Goulart. Cercado de ministros e amigos, Jango dava telefonemas, conferenciava com militares e civis. E o nervosismo, de minuto a minuto, ia tomando conta do palácio. De repente, o indefectível general Assis Brasil, chefe da Casa Militar, que até há

OS LÁBIOS DE DILMA

RIO – Padre Godinho, doutor em teologia em Roma, uma catedral de cultura, deputado federal da UDN e do MDB de São Paulo, imitava perfeitamente as vozes alheias. Uma noite, toca o telefone no apartamento do Padre Nobre (MDB de Minas) em Brasília, amigo do Padre Godinho: – É o senhor Padre Nobre? Padre Nobre, aqui é dom José Newton, arcebispo. Soube que o senhor está na Comissão de Finanças