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TEMPOS DE JANIO

TEMPOS DE JANIO RIO – Em 1968, nos turvos dias entre a passeata dos 100 mil no Rio e o AI-5, Jânio Quadros, cassado e longe de qualquer atividade política (ficou fora até da Frente Ampla de Juscelino e  Lacerda) pediu ao deputado estadual Fernando Perrone, do MDB de São Paulo, um encontro com a esquerda. Queria conversar mais para saber melhor.Perrone, líder estudantil ligado ao Partido Comunista, inteligente e

O voto de Minas

  RIO – Barbosa Lima Sobrinho, pelo PSD, e Neto Campelo Júnior, pela UDN, tinham disputado o governo de Pernambuco depois da ditadura de Getúlio, em 1947: Barbosa Lima, candidato de Agamenon Magalhães, e Neto Campelo, ministro da Agricultura de Dutra, candidato da Oposição. Na apuração, quase empate. Urna a urna, Pernambuco disputava, pelas rádios e alto-falantes, voto por voto. Ganhou Barbosa Lima. Mas houve muitas urnas impugnadas e as

DILMA E O DIABO

  PARIS – Se o saudoso e talentoso baiano Glauber Rocha estivesse aqui, teria que trocar o título de seu belo filme (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”) para “Deus e Dilma na Terra do Sol”. Ela não enganou ninguém. No começo da campanha Dilma disse a jornalistas no Palácio da Alvorada: – “Numa eleição a gente faz o diabo”. E como está fazendo! No primeiro turno Dilma

A LIÇÃO DE JK

A LIÇÃO DE  JK   PARIS – Ninguém me contou, eu vi. Foi há muito tempo, na década de 50. Eu morava, estudava e trabalhava em Minas como jornalista político (“O Diário”, “Diário da Tarde”e “Jornal do Povo”do Partido Comunista). Juscelino havia resistido ao golpe que levou Getúlio ao suicídio em 24 de agosto de 1954 e era candidato natural do PSD, do PTB e das esquerdas à Presidência da

A JIRIPOCA PIOU

A JIRIPOCA PIOU   PARIS – Ele entrou em minha casa no Rio, no fim de agosto, com os jornais na mão e o sorriso iluminado de sempre: – Meu pai, você esta enganado. Quem vai para o segundo turno com a Dilma é o Aécio, não é a Marina. 60% do país querem o PT fora do governo e vai votar para tirar. Não vão usar a Marina que

O PAIS DOS RUIDOS SURDOS

O PAIS DOS RUIDOS SURDOS   LYON França – Deus fez o mundo e mandou os homens fazerem as cidades. E ninguém as fez tão belas quanto o império romano: Roma, Paris, Constantinopla, Amsterdam, Avignon, Carcassonne, Rotenburgo, Jerusalém, Barcelona, tantas, e esta maravilhosa Lyon de 2 mil anos. Cedo os homens aprenderam que as cidades nascem à beira dos rios. A Mesopotamia é filha do Tigre e do Eufrates. A

EUROPA COM MEDO

  PARIS – Eu passava do outro lado da Avennue Champs Elysees, lá no alto, bem perto do Arco do Triunfo, quando uma bomba terrorista explodiu ali, no coração de Paris. Um carro preto, de chapa diplomatica, saiu às carreiras do local. Alguém anotou a placa. Imediatamente a polícia foi atrás da placa. Encontrou. Imaginem onde? Dentro da embaixada do Brasil, na Avennue Albert Premier, diante do Senna, ao lado

O PAÍS DE NASSAU

AMSTERDAM – Não é nada disso. Isto aqui não é a terra da maconha, nem só a patria do holandês brasileiro Maurício de Nassau. É sobretudo o país dos museus, das artes, do Museu  Van Gogh, grande, soberbo, aberto no centro da cidade como uma tulipa das artes. E também do Rijksmuseum, à beira dos canais, magestoso, atravessando impérios e séculos, mostrando Rembrandt em toda sua glória com seus largos

LEMBRANÇAS DE ULYSSES

RIO – A primeira vez que Ulysses Guimarães deixou de ser presidente da República não foi em 1974, quando o MDB o lançou como  anticandidato contra a nomeação do general Geisel. Com os olhos quase fechados, como se estivesse sonolento, ele contava pausadamente: – “Por ingenuidade, deixei de ser presidente da República interinamente. Os cardeais do PSD se reuniram em 1955 para ver a preferência da bancada em torno de

MARINA MORENA

RIO – Quando Jimmy Carter esteve no Brasil, em 1972, passou alguns dias em Recife com a mulher, em casa do casal Camilo Steiner, na praia da Piedade. A mulher de Steiner, americana da Geórgia, tinha sido  colega de colégio da mulher de Carter e continuaram amigas pela vida afora. O filho de Steiner estudou dos EUA, morando na casa de Carter. Em Recife, o então governador Eraldo Gueiros ofereceu