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As lutas de dois campos

SÃO PAULO  – Siqueira Campos, chefe da conspiração revolucionária em São Paulo nos primeiros dias de 1930,  chamou o jornalista  Oscar Pedroso Horta, redator do “Estado de S. Paulo”: -É preciso renovar os códigos de comunicação entre nós e Prestes, que está em Buenos Aires, trazer de lá um aparelho de rádio mais possante e levar uma série de mapas para ele organizar os planos do levante. Mas não esqueça:

COMO NO VESUVIO

19terçaAGOSTO2014              SEBASTIAO NERY   RIO – Como todo ano no fim do ano, estava numa semana de férias em Recife. Seis da tarde, tocou o telefone no hotel “Atlante”. Era o governador Eduardo Campos: -Nery, bem vindo a Pernambuco. Soube que você chegou à cidade. Podemos conversar? Estou numa inauguração aqui em Porto de Galinhas. Que tal nos encontrarmos depois? -Eduardo, aqui sou seu cadete. Diga onde e a que

Pôs o dedo sai pus

RIO – Uma tarde, em 1947, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e João Etienne Filho, jornalistas e escritores mineiros desembarcados no Rio, tomavam seu chope pobre no Vermelhinho, em frente à ABI, e ruminavam as esperanças nacionais. Chega Otto Lara Resende, também mineiro, jornalista e escritor, que fazia a cobertura do Senado ali ao lado, no Palácio Monroe, na Cinelândia, derrubado pela irresponsabilidade ditatorial do general Ernesto Geisel: – “Esse

O Scolari de Jango

RIO – “A 31 de março de 1964, pela manhã, eu fora à Câmara dos Deputados. Passara pelo meu gabinete por alguma razão menor. Para minha surpresa, por toda parte, parlamentares às dezenas, agrupados, a discutirem numa incontida agitação. Àquela época, o parlamento reunia-se pelas tardes. Sempre. Às vezes, às noites. Pelas manhãs, nunca. O que motivara os deputados federais àquele encontro insólito? “Aproximei-me de um dos grupos: e ali

Barbara de Varsóvia

RIO – Ao lado do hotel Bristol, em Varsóvia, na Polônia, havia um bar de nome inconfundível, Krokodila, com cara e fumaça de cave existencialista de Paris, naquela cidade arrasada pela guerra. A um canto do Krocodila, toda noite, tomava conhaque da Geórgia uma estudante de arquitetura com cara de pecado, Barbara Slanka, que usava pulôver vermelho com gola rolê e calça preta. Em 1957, ia ficar uma semana em

Lembranças de Serra

BELO HORIZONTE – Em 1964 a UNE (União Nacional de Estudantes) não era esse molusco falso, frouxo, mixuruca, que é hoje, um indisfarçado escritório financeiro-eleitoral que nem voto tem. Era uma grande e poderosa entidade nacional  que de fato representava a nós   estudantes brasileiros. E mais do que isso: era uma escola política, a vibrante Universidade Livre da juventude brasileira. Daí vinha sua força, sua representatividade, sua autoridade diante do

O conhaque francês

RIO – Alcântara era contínuo do palácio do governo do Rio Grande do Norte. Afonso Pena, presidente da República, ia visitar o Estado. Alcântara pediu para fazer parte da comitiva que ia esperar o Presidente na estação ferroviária de Nova Cruz, fronteira da Paraíba com o Rio Grande do Norte. O governador concordou. Mas o secretário do governador achou um absurdo. Onde se viu contínuo esperando presidente?  Chamou Alcântara: -O

O supremo cochicho

RIO – No “11 de Novembro” de 1955, internado Café Filho, presidente da República, com problemas cardíacos, o golpista Carlos Luz, presidente da Câmara no exercício da Presidência, tentou demitir o general Lott do Ministério da Guerra para impedir a posse de Juscelino – que havia ganho as eleições de 3 de outubro – mas não conseguiu. A Câmara reuniu-se, derrubou-o e o substituiu por Nereu Ramos, presidente do Senado.

O barão do PT

RIO – Era uma vez um barão. Um barão belga. Albert Frère. O homem mais rico da Bélgica e um dos mais ricos do mundo. Era dono da refinaria de Pasadena,  no Texas, que comprou por 42 milhões de dólares como sucata e vendeu à Petrobrás por um bilhão e 300 milhões de dólares. Um dos maiores negócios (ou negociatas) do século, no Brasil e no mundo. Através da empresa Astra

Pasadena ou passe a grana

RIO – Um amigo de Getúlio Vargas, quando Presidente (eleito em 1950), criticava Ricardo Jafet, cunhado de Paulo Maluf: -Presidente, nos primeiros encontros, no início da sua  campanha eleitoral, Jafet parecia o homem mais desinteressado do mundo. Não pedia nada em troca de sua ajuda. Dizia que era apenas um admirador e lutava como patriota pela volta do senhor ao poder. Depois, quando o senhor lhe entregou o Banco do Brasil,