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A CATTA PRETA E OS CAPAS PRETAS

RIO – Em junho de 1982, foi encontrado estrangulado em Londres, embaixo da “Blackfriars Bridge” (“a Ponte dos Irmãos Negros”), o banqueiro italiano Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano, que acabava de quebrar, e tinha como diretores o cardeal Marcinkus, o conde Umberto Ortolani e o chefe da P-2 italiana (maçonaria), Licio Gelli. Nos dias seguintes, na Itália e na Inglaterra, apareceram assassinados vários outros ligados a Calvi. Não é

O DONO DA OCA

RIO – Juruna, o selvagem cacique xavante que até os 18 anos flechava avião voando baixo em Barra do Garças,estava comovendo o país, de gravador na mão, provando que em Brasília “governo de branco mente”. Juruna ficou indignado com o representante da Funai em Mato Grosso, que o enganou, e contou a um pastor que ia matá-lo e fugir para o Paraguai. O pastor ligou para Darcy Ribeiro, que sugeriu

O CABARE DO DINHEIRO

RIO – Em Alegrete, que os gaúchos chamam de “a Londres Gaúcha” e por isso foi apelidada de “Alegraite”, havia um famoso cabaré: o “Lulu dos Caçadores”. Toda noite tinha briga. Ia tudo calmo, tudo alegre, mas quando dava duas horas da manhã era batata. A briga estourava. Oswaldo Aranha, muito jovem, foi ser prefeito de Alegrete. Sabia do “Lulu dos Caçadores”, sabia das brigas. Uma noite, apareceu lá, tomou

TODA CENSURA É BURRA

RIO – Illia Ehrenburg era o Jorge Amado da União Soviética. Eu não admitia ir a Moscou sem vê-lo. Em 1957, viajando pela Rússia, procurei, pedi, insisti, esperei, até que marcaram um encontro com ele, na casa dele. A foto está aqui, amarelada, depois de quase 60 anos. Somos uma meia dúzia de jovens estudantes brasileiros em torno daquele velho simpático, silencioso, numa cadeira de balanço, no canto da sala.

A MÃE DA DEMOCRACIA

RIO – Ao lado do hotel estaciona um caminhão. Leio na carroceria : – “Metáforas”. Pergunto ao porteiro italiano: – O que é isso? – Caminhão de “metáforas”. Não era uma jamanta de poesia. Era apenas um caminhão de mudanças. “Metáfora” é mudança. Como se fosse o apartamento de Drummond levado para Itabira. São os mistérios das línguas, tão diversos e tão diversas, embora o grego seja a avó do

O TURBANTE E O CAMISOLÃO

RIO – Na frente, um árabe com seu turbante. Atrás, um africano com seu camisolão. No meio, eu e a namorada com nosso medo. Impossível não ter medo aéreo naquele final da década de 1980. Os aeroportos da Europa tinham virado campos humanos minados.Todos desconfiando de todos.Cada um imaginando onde o outro estava escondendo a bomba, a granada, que daí a pouco poderia explodir, lá no céu, o avião e

O GUERREIRO PAES DE ANDRADE

RIO – Presidente da Câmara dos Deputados, Paes de Andrade foi à Alemanha participar de uma celebração internacional sobre o fim da II Guerra Mundial. Sentado ao lado do embaixador do Brasil, estava em um banquete, em Bonn, oferecido pelo Parlamento alemão, quando um secretário da embaixada brasileira aproximou-se do embaixador e lhe cochichou uma notícia ao ouvido. O embaixador ficou perplexo, excitado e feliz. Automaticamente, pegou o copo de

O REIZINHO DO BNDES

RIO – Meses depois da renuncia em agosto de 1961, Jânio  Quadros voltou da Europa em 1962 e se candidatou a governador de São Paulo, com um slogan do saudoso deputado baiano, cassado em 1964, João Dória: -“A renúncia foi uma denúncia”. Por sugestão de José Aparecido de Oliveira, Luís Lopes Coelho, presidente do “Barzinho do Museu”, em São Paulo, reuniu alguns jornalistas  e intelectuais amigos, de São Paulo e

OS CORONÉIS DA FIFA

RIO – Dia de festa em Limoeiro, Pernambuco. O time da cidade ia jogar com o  escrete de Garanhuns, disputando o primeiro lugar no Campeonato Intermunicipal. O coronel Chico Heráclio chegou todo de branco, sentou-se na sua cadeira de vime, a partida começou. Primeiro tempo, segundo tempo, nada de gol. Zero a zero. Cinco minutos para acabar o jogo, o juiz, que tinha ido do Recife, marcou pênalti contra Limoeiro.

O LAVA-BIFE LULÔÔOOO!!!

  RIO – Com o fim da ditadura de Vargas em 1945, o ex-Presidente  Washington Luiz voltou do longo exílio. Veio de navio, foi recebido na Praça Mauá por uma multidão emocionada. Saudou-o o general Euclides de Figueiredo, da Revolução Constitucionalista de São Paulo, pai do escritor Guilherme de Figueiredo e do general João Baptista de Figueiredo. Depois do discurso, Washington Luiz entrou em um carro aberto e saiu desfilando