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UM GÊNIO ANTIGO

RIO – Saí do almoço, fui direto à enciclopédia ver a definição de águia: – “Ave de soberbo voo, garras potentes e tarsos plumosos, nidifica e habita nas montanhas”. Era ele. Nunca ninguém me dera tão forte a ideia de ave, de uma ave soberba. Cara de ave, nariz de ave, longos dedos de ave, finos e saltitantes olhos de ave, apesar de tudo não voava nem cantava. Era um

MÃO CHEINHA

RIO – Quando Jimmy Carter esteve no Brasil, em 1972, passou alguns dias em Recife com a mulher, em casa do casal Camilo Steiner, na praia da Piedade. A mulher de Steiner, americana da Georgia, foi colega de colégio da mulher de Carter e continuaram amigas pela vida a fora. O filho de Steiner estudou nos EUA, morando na casa de Carter. Em Recife, o governador Eraldo Gueiros ofereceu um

OS BODES PRETOS

RIO – Quando o Senado e a Câmara Federal reabriram em março de 1970,senadores e deputados governistas foram ao Alvorada para uma visita sabuja de cortesia ao novo ditador, o general Médici. Chagas Freitas, então deputado, foi apresentado pela primeira vez ao presidente, que lhe disse: – Preciso falar com o senhor. Chagas ficou como uma vela de óculos. Puxou pelo braço o deputado Rubem Medina, da Guanabara, e um

ALBERTO SILVA UM ESTADISTA

RIO – “O difícil agente faz hoje. O impossível faz-se amanhã.” Esta frase, lapidar, é a abertura do livro “Alberto Silva Uma Biografia” do brilhante jornalista piauiense Zózimo Tavares. “Nenhum político piauiense mexeu tanto com o imaginário de uma geração, na segunda metade do século 20, quanto o engenheiro Alberto Silva. Ao governar o Piauí pela primeira vez, entre 1971 e 1975, consagrou um etilo de gestão que o transformaria

FUTEBOL E POLITICA

RIO – Sergio Porto, nosso saudoso Stanislaw, dizia que “no futebol a cabeça é o terceiro pé”. Os bretões o inventaram achando que aquilo era só uma brincadeira sem pé nem cabeça. E no entanto metade da humanidade continua em frente a uma TV. Até macacos jogam. É clássica, e já contei aqui, a historia do Adalardo de Alegrete, no Rio Grande do Sul. A cidade estava em festa. O

FAROESTE EM FAMILIA

  SÃO MIGUEL DOS MILAGRES – 1. “Se me aborrecerem o pau canta e não pára mais”. – “O governador é quem manda em Alagoas e o que ele faz há de ser respeitado, custe o que custar, haja o que houver”. – “O governador me perguntou (a um deputado da oposição,preso) se eu estava armado. Respondi-lhe que não era habituado a usar armas. Sacou então de um punhal ou

UM POLITICO EXEMPLAR

RIO – Paes de Andrade, sempre que retornava a Fortaleza, reunia em sua casa os amigos para um convescote. Chegávamos – uns vinte – para o almoço de carneiro e para todas aquelas relembranças da história política do Ceará, em que o Filho de Mombaça havia sido personagem marcante por mais de meio século. O carneiro do Paes, preparado pelas mãos competentes da cozinheira Francinete e apresentado em várias modalidades

PIANDO MACUCO

RIO – Oscar Thompson era secretário da Agricultura do governo de Adhemar em São Paulo, em 1964. Depois do golpe militar, o presidente Castelo Branco mandou Adhemar indicar o ministro da Agricultura. Adhemar fez uma vasta lista. Castello vetou todos. Até que aceitou Oscar Thompson, formado pela Escola Agrícola Luiz de Queiróz, em Piracicaba. Assumiu em 14 de abril. Em 16 de junho, Castello lhe telefonou mandando fazer uma demissão

COMEÇO DE ANO É TEMPO DE FESTA

  RIO – Há séculos os irlandeses nos ensinam esta lição. Nosso eterno poeta, o Paulo Mendes Campos, traduziu em versos de luz: “UMA VELHA BENÇÃO IRLANDESA Que a benção da luz seja contigo, a luz exterior e a luz interior.   A Santa luz do Sol brilhe sobre ti e aqueça teu coração até que ele resplandeça como um grande fogo de turfa, e assim o forasteiro possa vir

RUBENS E EUNICE

RIO – Era 20 de janeiro de 1971, feriado, dia de São Sebastião, padroeiro do Rio e meu. Antes das dez da manhã, a caminho da praia, parei o carro em frente à casa do deputado do PTB paulista, cassado, Rubens Paiva, na Avenida Delfim Moreira, Leblon, Rio. Minha filha, colega da filha dele, desceu para pegar a amiga. Mandei um recado: – Diga ao Rubens que não entramos porque