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QUANDO OS POLITICOS ERAM ESTADISTAS

RIO – Houve um tempo em que os líderes políticos se preocupavam em deixar lições e não fortunas. Esta história de Ulysses Guimarães e seu “exército” em Salvador, na Bahia, em 1978, é um exemplo de como se pode fazer política sem pensar sobretudo em dinheiro. Ninguém me contou. Eu vi. Estava lá. Às 19 horas de um sábado, em 1978, no “hall” do Hotel Praia-Mar, em Salvador, Ulysses Guimarães,

A LIÇÃO DE JUSCELINO

A LIÇÃO RIO – Candidato a presidente, Juscelino saiu pelo País visitando o PSD. Desceu na Bahia. Antonio Balbino, governador do PSD, ainda estava em cima do muro: Qual é a verdadeira posição do Café? Qual deles, Balbino? O vegetal ou o animal? Foi para Pernambuco. Etelvino insistia: Juscelino, vamos rever o assunto de fazer a união nacional. Etelvino, já sei que você está contra mim, Quando você fala em

UM BOM MINEIRO

RIO – Ele era sobretudo um mineiro de coração enorme. No meio século em que o conheci desde que cheguei a Minas na década de 50, Toninho Drummond foi um jornalista exemplar. Bom colega, bom amigo. Durante 25 anos dirigiu a sucursal da TV Globo em Brasília. Para defini-lo bastaria dizer que estava sempre a serviço do bem. Suas historias políticas são dezenas. *   Quando Geisel foi ao Japão

O BEIJO DE LUDMILA

  RIO – Ludmila era interprete, jovem e bela. Falava espanhol e português, no Festival Mundial da Juventude, em Moscou, em 1957. Tinha a mãe em Moscou, um irmão em Praga e um avô no Cáucaso. Acabado o Festival, destacaram-na para acompanhar-me como tradutora em debates e palestras em Moscou, na Universidade da Amizade dos Povos. No fim dos debates, almoçávamos ou jantávamos juntos. Cada dia mais debates, cada dia

DELFIM, DO PODER, PELO PODER, PARA O PODER

RIO – Em Paris,1977, ligo para a embaixada do Brasil: – O embaixador está? – Sim, o senhor ministro está. Quem deseja falar com ele? É assim. Não é o embaixador, é o ministro. Não é o homem daqui, do exterior, é o homem daí, unha e carne com o dia-a-dia nacional. O homem integrado numa jogada política, hora a hora, minuto a minuto. O homem do poder, pelo poder,

FOLCLORE E REALIDADE

RIO – O homem é a palavra. O mais é circunstância. A história é a palavra. O resto é consequência. Por isso a história do homem é a história de sua palavra. É a crônica de sua linguagem. É o cotidiano do possível dizer. Na Grécia livre de Péricles, o discurso era a palavra. Na Judéia oprimida do Cristo, o discurso era a parábula. Na Idade Média torturada de Galileu,

O ALKMIN DO PARÁ

RIO – A sabedoria política nacional acha que ela só existe em Minas, Bahia, São Paulo, no nordeste e no sul maravilha. No entanto ela está espalhada de norte a sul. Por exemplo: o Pará teve um José Maria Alkmim que durou décadas: João Botelho. * João Botelho foi candidato a prefeito de Belém. Passou o dia inteiro anunciando um comício à noite, na praça Brasil. Chegou lá, não havia

HISTORIAS PARAENSES

RIO – Magalhães Barata, revolucionário de 1924 a 1930, interventor de 1930 a 1945, constituinte de 1946 , senador de 1946 a 1954, governador de 1955 a 1959, amigo de Getúlio Vargas, mandou 35 anos no Pará. Um dia Abelardo Conduru, respeitável chefe político, rompeu com ele. Fez carta, mandou um vaqueiro levar. Barata abriu, leu, ficou indignado. Conduru mandava tirar o nome da chapa do governo e comunicava que

O SONHO DO SULTÃO

RIO – Um sultão todo poderoso acordou desesperado. Sonhou que havia perdido todos os dentes. Ao despertar, mandou chamar o adivinho da Corte para as devidas interpretações. – Que sonho terrível! Cada dente perdido significa a perda de um parente de Vossa Majestade. – Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui, insolente! Enfurecido, o sultão chamou os guardas e ordenou que lhe dessem 50 chibatadas. Mandou chamar outro

MEIO SECULO DA GLOBO

RIO – O deputado mineiro José Maria Alkmin foi advogado de um crime bárbaro. No júri, conseguiu oito anos para o réu. Recorreu. Novo júri, 30 anos. O réu ficou desolado: – A culpa foi do senhor, dr. Alkmin. Eu pedi para não recorrer. Agora vou passar 30 anos na cadeia. – Calma, meu filho, não é bem assim. Nada é como a gente pensa da primeira vez. Primeiro, não