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O MULTIPLO EMBAIXADOR

  RIO – O Embaixador José Aparecido de Oliveira era um lusófilo incorrigível. Mais ainda do que o mestre do lusotropicalismo Gilberto Freire. Portugal, para ele, era como as pedras seculares das ruas de sua Conceição do Mato Dentro, nas montanhas do Serro do Frio de Minas. Doem nos pés, mas é preciso ter paciência. Perdoando e gostando. Aparecido teve com Portugal um crédito político histórico. Foi ele, como Ministro

HISTORIAS POLITICAS

  RIO – Fernando Henrique Cardoso tinha 29 anos, era professor na Universidade de São Paulo, sociólogo. Fez a campanha de Lott para presidente da República, contra Jânio, em 1960. Mas um grupo de amigos dele fez a campanha de Jânio: Pedroso Horta, José Aparecido, Roberto Gusmão, Fernando Pedreira, Angarita. Quando Jânio assumiu, havia uma vaga para o Conselho Nacional de Economia, muito importante na época. Fernando Henrique não era

UMA SALADA DE FRUTAS

RIO – A Turquia não é um país. É uma salada de frutas. A Macedônia também já foi. Tantos povos moraram e mandavam lá, que na Itália a salada de frutas se chama “macedônia”. Pois a Turquia é muito mais. É o único país do mundo que já teve 12 capitais. Primeiro, Troia, capital dos Hatitas (3.500 anos antes de Cristo). Depois, Hattusa, capital dos Hititas (do século 18 ao

QUINTA DAS LÁGRIMAS

RIO – Na Arcada da Capela, o belo restaurante do hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra, Portugal, à beira do camoniano rio Mondego, sob as bênçãos da milenar Universidade de Dom Diniz, a mineira família Gorgulho-Juca, escolheu para rever amigos portugueses. O lugar perfeito. Desde a idade média (a partir de 1350), a Quinta das Lágrimas, que já foi da Universidade e de uma ordem religiosa, cercada de matas e

O VICE EXEMPLAR

RIO – Era um rapaz magricela, calva longa e olhar triste de seminarista de castigo, as mãos soltas na ponta dos punhos, como balões vazios, e um pescoço longo, muito longo entre Modigliani e o gogó da ema da praia de Pajuçara em Maceió. Duas vezes vi Marco Maciel, presidente da Câmara, em pânico, na crise de abril de 1977. Quando Francelino Pereira chegou ao Planalto dizendo que a situação

ORGULHO MINEIRO

RIO – Augusto de Lima Júnior, historiador e filho de avenida em Belo Horizonte (o pai foi um dos patriarcas mineiros), criou a Medalha da Inconfidência, e Juscelino o nomeou Chanceler perpétuo. O governador só dava a medalha a quem Liminha aprovava. Bias Fortes chegou ao governo, queria dar a Medalha de Tiradentes à sogra. Augusto de Lima Júnior protestou, não adiantou nada. Bias assinou o ato, Liminha pediu demissão

UM GÊNIO ANTIGO

RIO – Saí do almoço, fui direto à enciclopédia ver a definição de águia: – “Ave de soberbo voo, garras potentes e tarsos plumosos, nidifica e habita nas montanhas”. Era ele. Nunca ninguém me dera tão forte a ideia de ave, de uma ave soberba. Cara de ave, nariz de ave, longos dedos de ave, finos e saltitantes olhos de ave, apesar de tudo não voava nem cantava. Era um

MÃO CHEINHA

RIO – Quando Jimmy Carter esteve no Brasil, em 1972, passou alguns dias em Recife com a mulher, em casa do casal Camilo Steiner, na praia da Piedade. A mulher de Steiner, americana da Georgia, foi colega de colégio da mulher de Carter e continuaram amigas pela vida a fora. O filho de Steiner estudou nos EUA, morando na casa de Carter. Em Recife, o governador Eraldo Gueiros ofereceu um

OS BODES PRETOS

RIO – Quando o Senado e a Câmara Federal reabriram em março de 1970,senadores e deputados governistas foram ao Alvorada para uma visita sabuja de cortesia ao novo ditador, o general Médici. Chagas Freitas, então deputado, foi apresentado pela primeira vez ao presidente, que lhe disse: – Preciso falar com o senhor. Chagas ficou como uma vela de óculos. Puxou pelo braço o deputado Rubem Medina, da Guanabara, e um

ALBERTO SILVA UM ESTADISTA

RIO – “O difícil agente faz hoje. O impossível faz-se amanhã.” Esta frase, lapidar, é a abertura do livro “Alberto Silva Uma Biografia” do brilhante jornalista piauiense Zózimo Tavares. “Nenhum político piauiense mexeu tanto com o imaginário de uma geração, na segunda metade do século 20, quanto o engenheiro Alberto Silva. Ao governar o Piauí pela primeira vez, entre 1971 e 1975, consagrou um etilo de gestão que o transformaria