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KENNEDY IA PERDER

RIO – Naquele outubro de 1960, terminado o longo e monumental Congresso Internacional de Municípios em San Diego, na Califórnia, que durara duas semanas, um grupo de jornalistas baianos alugou um carro e saímos até São Francisco. Eu tinha ficado amigo do presidente do Conselho Municipal de Los Angeles, jornalista como eu, que me convidou para hospede de sua cidade por uma semana e conhecer além do que mostrava o

UM PAIS ISOLADO

SÃO PAULO – Em 1953, Getúlio Vargas era presidente da República. Jânio Quadros prefeito de São Paulo, Carvalho Pinto secretário da Fazenda de São Paulo, Coriolano Góes diretor geral da Cexim (Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil). Uma tarde, aparecem no gabinete do diretor da Cexim, no Rio, Jânio Quadros e Carvalho Pinto. Precisavam de uma audiência urgente para uma licença especial do governo federal para importar

PALOCCI E A PEC

RIO – Esta é quase uma historia de horror. Em 2005, no primeiro governo de Lula, os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, dois poderosos ministros do governo, prepararam um PAF (Plano de Ajuste Fiscal), um projeto de ajuste fiscal realista, fixando o limite de gastos públicos por dez anos, impedindo seu crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto). Quando o PAF chegou à Casa Civil,

O VOTO E O CORONEL

RIO – Chico Heráclio, o mais famoso coronel do Nordeste, mandava e desmandava em Limoeiro, Pernambuco.Era o senhor da terra, do fogo e do ar. Ou obedecia ou morria. Fazia eleição como um pastor. Punha o rebanho em frente à casa e ia tangendo, um a um, para o curral cívico. Na mão, o envelope cheinho de chapas. Que ninguém via, ninguém abria, ninguém sabia. Intocado e sagrado como uma

HISTORIAS DE ULYSSES

RIO – Em abril de 1991 tive uma grande alegria em Roma, onde era Adido Cultural. Fui ao aeroporto Fiumicino receber Ulysses e dona Mora. Ele chegava magoado com o PMDB que lhe havia tirado a presidência do partido. Durante duas semanas ciceroneei os dois, a irmã e uma amiga de dona Mora, dirigindo meu carro pelos monumentos, palácios, igrejas, ruínas, catacumbas e restaurantes romanos. No bar do estrelado Hotel

O NAUFRÁGIO DO PT

RIO – A história da humanidade tem naufrágios que ultrapassaram os tempos, como o do cônsul Pompeu voltando da África para Roma. No Brasil a Bahia nasceu do naufrágio do valente aventureiro Caramuru. Perdemos o bispo Sardinha nas costas do nordeste. E na história universal o Titanic, o super navio afundado. Nesta semana mais um naufrágio veio para carimbar a história da política brasileira. Depois de 30 anos de belas

JANGO EM PARIS

RIO – Faz 40 anos, neste setembro da 2016. Em 1976, acabada a Constituinte portuguesa (quando escrevi “Portugal, Um Salto no Escuro”, para a Francisco Alves), com vitória ao Partido Socialista de Mário Soares, iria começar a da Espanha.Viajei pela “IstoÉ” e “Correio Braziliense”. Antes dos comícios da Espanha, fui passar duas semanas em Paris e soube que o ex-presidente João Goulart estava na cidade, cuidando do sofrido e alquebrado

O VELHO E O RIO

RIO – Manoel Novaes fazia comício em Barra, à beira do São Francisco, nos estorricados sertões da Bahia. Um candidato a vereador fala ao povo, apinhado na praça da feira: – Minha gente, quem deu a perfuratriz? – Foi Novaes. – O que é que a perfuratriz faz? – Fura e tira água do rio. – A vaca que dá leite a nossos filhos bebe o que? – Bebe água.

A FALTA QUE ELE FAZ

RIO – O telefone tocou na casa de praia de Madame Schneider, uma francesa amiga de Juscelino Kubitschek, a 20 quilômetros de Saint Tropez, no sul da França, onde ele, dona Sara, as filhas Márcia e Maristela e o ex-secretário amigo dileto Olavo Drummond, passavam uns dias descansando, depois de deixar a presidência da República em 31 de janeiro de 1961. Era o empresário, poeta e redator de alguns dos

AS DORES DE DILMA

RIO– “A ministra sentou-se numa cadeira para conversar com o médico. Falaram sobre o tratamento inadiável, doloroso e incômodo. O exame definitivo tinha chegado de um laboratório de Houston, nos Estados Unidos, naquela sexta, 17 de abril (2009). Um breve silêncio foi quebrado por um suspiro longo: – “A vida não é fácil. Nunca foi”. A ministra seguiu para a entrevista coletiva. Parecia segura. Vestia um casaco de linho vermelho