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	<title>Sebastião Nery &#187; PTB</title>
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	<description>Jornalista e principal autor sobre o Folclore Político brasileiro.</description>
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		<title>Histórias de Jequié, Lomanto e Getúlio</title>
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		<pubDate>Tue, 27 May 2014 04:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Sebastião Nery]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Folclore Político]]></category>
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				<content:encoded><![CDATA[<p>RIO – Pálido, os olhos tristes e a alma cansada, Getúlio Vargas desceu em Belo Horizonte, na tarde de 12 de agosto de 1954, a convite do solidário governador Juscelino Kubitschek, para inaugurar a siderúrgica Mannesman. O Rio pegava fogo com o  inquérito da Aeronáutica (a “Republica do Galeão”) contra os que tentaram matar Lacerda.</p>
<p>Liderados pelos comunistas e udenistas, nós estudantes, com lenços  amarrados na boca, impedimos que Vargas atravessasse a cidade pela Avenida Afonso Pena, sendo o cortejo presidencial obrigado a seguir pela Avenida Paraná e tomar a Avenida Amazonas até a Cidade Industrial.</p>
<p>No palanque, ao lado do governador e dos colegas jornalistas, vi bem suas mãos tremulas mas a voz forte. Vargas deu seu recado aos inimigos:</p>
<p>-Advirto aos eternos fomentadores da provocação e da desordem que saberei resistir a todas e quaisquer tentativas de perturbação da paz.</p>
<p>Da inauguração, Getúlio foi direto para o palácio das Mangabeiras. Não conseguiu dormir, segundo confessou depois a Juscelino. Depois do café da manhã, antes de voltar para o Rio, de pé, sorrindo discretamente, com seu indefectível charuto, ao lado de JK, Getúlio nos cumprimentou, um a um, e disse algumas palavras aos poucos jornalistas ali presentes.</p>
<p>Eu era o mais novo, fiquei na ponta. Achei sua mão gordinha e fria:</p>
<p>-É muito jovem. De que Estado você é?</p>
<p>-Da Bahia, presidente. De Jaguaquara.</p>
<p>-Onde fica?</p>
<p>-Entre Salvador e Ilhéus, perto de Jequié.</p>
<p>Ele parou, pensou um pouco:</p>
<p>-Jequié, Jequié. Conheci o jovem prefeito de lá. Conversamos, me deixou uma boa impressão. É um rapaz de futuro.</p>
<p>-É o Lomanto, presidente.</p>
<p>-Pois é, um rapaz de futuro.</p>
<p>Despediu-se com seu discreto e distante sorriso e a mão gordinha e fria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2. – NEWTON PINTO E LAFAIETE </strong></p>
<p>Lafaiete Coutinho, paraibano, grande, simpático, medico, udenista baiano, deputado estadual e duas vezes federal pela UDN da Bahia (de 47 a 59), secretario de Segurança do governo Balbino e secretario da Agricultura do governo Juracy, estava em uma solenidade no Fórum de Salvador quando o também médico Newton Pinto, ex-prefeito de Jequié e deputado estadual, sábio, doutor em mistérios, viu a palma de sua mão:</p>
<p>-Lafaiete, você é um homem de coragem? Posso dizer uma coisa?</p>
<p>-Pode, Newton. O que você quiser. Lá vem você com sua quiromancia (Aurélio: -“Adivinhação pela leitura das palmas das mãos”).</p>
<p>-Então arrume sua vida, porque você só tem poucas semanas de vida.</p>
<p>Lafaiete deu uma gargalhada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era 1959, o presidente Juscelino Kubitschek e o governador da Bahia, Juracy Magalhães, estavam  empenhados em arranjar um candidato que unisse a UDN, o PTB e até mesmo o PSD, para impedir que a UDN lançasse Jânio para presidente. Juscelino e Juracy achavam que podia ser Juracy, mas aceitavam Osvaldo Aranha, do PTB, amigo dos dois e de Jango.</p>
<p>Juracy mandou Lafaiete ao Rio Grande do Sul perguntar a João Goulart, vice-presidente de Juscelino e líder absoluto do PTB, se aceitava Osvaldo Aranha como candidato de união nacional, com apoio de JK.</p>
<p>Na véspera da viagem, jornalista politico de “A Tarde”, ao lado da  secretaria da Agricutlura, ali na praça Castro Alves, entrei no gabinete de Lafaiete, que me contou a conversa com Newton Pinto e me interrogou:</p>
<p>-Você, que passou oito anos no seminário e estudou essas coisas todas, acredita em quiromancia, o destino traçado nas linhas das mãos?</p>
<p>-Nem acredito nem desacredito. Mas não me meto.</p>
<p>Ele deu uma gargalhada:</p>
<p>-Então estou a caminho da morte. Vou a amanhã a Porto Alegre e, de lá, pegar um aviãozinho qualquer para chegar à fazenda do Jango, em São Borja. Não gosto de avião pequeno. Mas não tem outro jeito. Vou em missão política do Juracy, não posso dizer nada, na volta te conto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lafaiete foi, conversou, voltou em um sábado, e do aeroporto de Salvador seguiu direto para o palácio da Aclamação, comeu uma feijoada com Juracy, e lhe contou a conversa toda, inclusive a resposta de Jango:</p>
<p>-Diga ao governador Juracy que gosto muito do doutor Osvaldo Aranha, amigo fiel do ex-presidente Vargas até o ultimo instante e meu amigo também. Mas a política do Rio Grande é um terreiro, que só dá para um galo só. Se ele se elege,  me aposenta, acabou minha liderança.</p>
<p>Lafaiete pegou o carro oficial e foi para casa, na Graça.</p>
<p>Quando tocou a campainha, caiu morto na varanda.</p>
<p>Newton Pinto sabe da vida e da morte.</p>
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